quinta-feira, 4 de agosto de 2016

GEORGE STEINER


“Estou enojado com a educação escolar de hoje, que é uma fábrica de incultos e que não respeita a memória.
E que não faz nada para que as crianças aprendam as coisas com a memorização.
O poema que vive em nós, vive conosco, muda conosco e tem a ver com uma função muito mais profunda do que a do cérebro. Representa a sensibilidade, a personalidade. (...)

Vivemos uma grande época de poesia, especialmente entre os jovens. E escute uma coisa: muito lentamente, os meios eletrônicos estão começando a retroceder. O livro tradicional retorna, as pessoas o preferem ao kindle... Preferem pegar um bom livro de poesia em papel, tocá-lo, cheirá-lo, lê-lo. Mas há algo que me preocupa: os jovens já não têm tempo... De ter tempo. Nunca a aceleração quase mecânica das rotinas vitais tem sido tão forte como hoje. E é preciso ter tempo para buscar tempo. E outra coisa: não há que ter medo do silêncio. O medo das crianças ao silêncio me dá medo. Apenas o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós.”

quarta-feira, 18 de março de 2015

terça-feira, 18 de novembro de 2014

KHALED HOSSEINI

"Eu vejo o processo criativo como um empreendimento necessariamente desonesto. Aprofunde-se num lindo texto escrito, monsieur Boustouler, e vai encontrar todos os tipos de desonra. 
Criar significa vandalizar a vida de outras pessoas, transformando-as em participantes involuntários e inconscientes. Nós roubamos desejos alheios, seus sonhos, embolsamos seus defeitos. Pegamos o que não nos pertence. E fazemos isso conscientemente.”


Personagem Nila Wahdati, em O Silêncio das Montanhas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TEMPO DE LER...


JOAO PAULO CUENCA



“Sobre seu processo criativo, o escritor disse que é bastante doloroso, alheio ao mundo num estado lunático, porque se considera um grande observador do cotidiano. "Escrever é a coisa mais solitária que existe pra mim, quantos escritores se perderam em meio as escritas". Mesmo vivendo na solidão, Cuenca não abre mão da arte e da escrita. "A arte é maravilhosamente inútil". “

AS ULTIMAS PALAVRAS...

Jane Austen

“Só quero morrer.”

Autora de “Razão e Sensibilidade”  e  “Emma”

ANTONIO SKÁRMETA


“Prefiro a literatura a qualquer outra coisa. 
Escrever é um ato que só depende de você mesmo para triunfar ou fracassar. 
E a leitura é um milagre no qual se encontram a intimidade e a fantasia de um escritor com as de um leitor ou leitora: sem intermediação de nenhum tipo, sem refletores, sem maquiagem, sem edição, sem música incidental, sem pipoca. 

Ambos revelando-se um ao outro.”

ANTONIO PRATA


“A auto-publicação já é algo antigo.
Vários grandes autores começaram publicando suas obras por conta, tanto é que mais tarde estes escritores fundaram a Editora do Autor – trocadilho referência aos livros “edição do autor”.


É um caminho maravilhoso a auto-publicação, porque assim você pode mostrar ao mundo seu livro. Apesar dos ebooks serem algo novo no mercado, sem dúvida o formato digital facilita muito para quem ingressa na carreira de escritor.”

JORGE LUIS BORGES


sábado, 19 de julho de 2014

JOÃO UBALDO RIBEIRO

“Meu pai nunca dizia o que uma palavra significava, estava sempre me aconselhando: “Não sabe? Vá ao dicionário”. Com isso, eu passei a valorizar muito cada palavra.

Eu não suporto um “maravilhoso” que serve para tudo. Eu geralmente quero ser muito preciso no uso de determinada palavra. É quase uma compulsão: eu tenho vontade de usar a palavra certa. E o leitor, você sabe, não perdoa quando descobre que sabe mais que o autor.

Quando um escritor está construindo um universozinho elaborado, digamos assim, artificial, ele está construindo um edificiozinho – se dá uma escorregada num tijolo, aquilo pode contaminar o livro inteiro.

Se você está escrevendo um livro que tem um personagem médico e coloca o fígado do lado esquerdo, ou erra na hora de descrever a cavidade abdominal, adeus. Isso pode quebrar toda a mágica do seu romance. O narrador hábil vai introduzindo o leitor numa série de códigos e não pode trair esses códigos.

É por isso que loucos como eu, Zé Rubem [Rubem Fonseca], ficam desesperados se não conseguem encontrar a palavra exata. E o Zé Rubem procurando o nome daquele patê, não é outro, é aquele; o Jorge Amado telefonando para mim querendo saber o nome do nó que se dá na corda de um saveiro. Alguém poderia dizer: “Põe nó e pronto”. Mas o Jorge nunca aceitaria: “Mas tem um nome, aquele nó, do saveiro...” Não quer dizer que o Jorge seja especialista nisso, ou o Zé Rubem em patê, ou eu em protozoários. Se fosse assim...

Há uma cena de homossexualismo n’O sorriso do lagarto, então teve gente que falou: “Como você sabe?”
E eu: “Ah, treinei com uns amigos!”
O que é que eu ia responder pra esse tipo de pergunta?
Ora, não é porque eu nunca pari que não posso descrever uma cena de parto.

É tudo uma questão de você encontrar a palavra certa, as palavras certas.”

Tomando isso como parâmetro – a esperança, a resistência – o sr. diria ao jovem candidato a escritor que continue?
João Ubaldo Ribeiro: Em primeiro lugar, desa­conselharia esse jovem candidato a escritor a continuar; sugeriria que desistisse enquanto é tempo. Mas se isso for mesmo impossível, eu diria: então está bem, persista, vá em frente, leia muito, todas essas coisas que são lugares-comuns. E principalmente: seja humilde, mas combine essa humildade com uma certa obsti­nação. O resto, não é com você, amigo. É um mistério.